Acidentes com crianças. Tenha cuidado!

Acidentes domésticos: aprenda a preveni-los | CUF

Acidentes com crianças. Tenha cuidado!

Os acidentes domésticos são a principal causa de morte até aos 18 anos. Em 2012, as crianças até aos 14 anos foram as maiores vítimas de acidentes domésticos e de lazer. Constituem, por este motivo, um importante problema de saúde pública.

Dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge indicam que 36,4% dos acidentes com crianças até aos 14 anos ocorreram em casa mas, se fossem consideradas apenas crianças até aos cinco anos, este valor subiria para os 80%.

Principais causas de acidentes domésticos

As quedas são a principal causa de acidentes domésticos, seguindo-se os cortes, queimaduras e intoxicações.

Entre 2000 e 2012, 109 crianças e jovens até aos 19 anos morreram devido a uma queda. Entre 2000 e 2013, 60.705 crianças até aos 18 anos foram internadas por terem sofrido uma queda.

A maioria dos acidentes deve-se a faltas de atenção por parte dos adultos e menosprezo por riscos comuns, bastam alguns segundos de distração para que os acidentes aconteçam. A vigilância, consciência e supervisão à medida que a criança adquire novas habilidades de locomoção e manipulação é essencial.

Acidentes (não só domésticos) mais frequentes de acordo com a idade

0-1 anos: quedas, asfixia, engasgamento, aspiração de corpos estranhos, intoxicações, queimaduras

2-4 anos: quedas, asfixia, engasgamento, afogamento, intoxicações, choques elétricos, traumatismos

5-9 anos: quedas, atropelamentos, queimaduras, afogamentos, choques elétricos, intoxicações, traumatismos

10-19 anos: quedas, atropelamentos, afogamentos, choques elétricos, intoxicações, traumatismos

Para as crianças, tudo é um brinquedo

As crianças pequenas não têm capacidade de avaliar o perigo, pelo que qualquer objeto que encontram se pode transformar num brinquedo interessante.

Botões, tampas e rolhas de garrafas, moedas, pequenos pregos e brinquedos com peças pequenas são objetos atrativos para crianças até aos três anos que gostam de levar tudo à boca.

No entanto, constituem um grande perigo, pois a criança pode engasgar-se e até sufocar.

Alertar e ensinar é fundamental

Não se limite a proibir a criança de fazer determinada coisa, deve procurar ensiná-la e alertá-la para os riscos que certos atos envolvem, para que ela possa desenvolver a noção de perigo e de comportamentos perigosos. Não desista, mesmo quando se trata de uma criança pequena e a explicação requer muita paciência. Sobretudo, dê o exemplo: as crianças imitam os adultos.

A criação e manutenção de ambientes seguros para crianças e jovens são fundamentais para a redução da sua exposição ao risco de acidentes graves. Os perigos dentro de casa podem tornar-se uma armadilha para a criança.

Medidas para prevenção de acidentes domésticos

Escadas

  • Devem ter corrimão de apoio e o piso não deve ser escorregadio
  • Coloque proteções e barreiras em todos os acessos às escadas
  • Não se esqueça de fechar as proteções e as barreiras de acesso às escadas depois de passar

Janelas e varandas

  • Coloque grades ou redes de proteção em todas as janelas e varandas

Piscinas

  • Nunca deixe a criança sozinha perto de uma piscina
  • Esteja atento às brincadeiras das crianças na água
  • Coloque braçadeiras ou coletes às crianças que não sabem nadar mesmo que estejam apenas junto à piscina, pois podem escorregar
  • Se tem piscina em casa coloque uma tela de proteção ou uma vedação à volta dela
  • Leia o artigo Guia de segurança na água

Cozinha

  • Não deixe as crianças sozinhas na cozinha
  • Guarde facas e objetos cortantes em locais pouco acessíveis
  • Não deixe tachos e panelas ao lume sem ninguém estar na cozinha e tenha cuidado com líquidos quentes
  • Certifique-se que desliga os bicos do fogão quando acaba de cozinhar
  • Vire os cabos das frigideiras para o interior do fogão
  • Guarde fósforos e isqueiros em locais seguros, fora do alcance das crianças
  • Tenha cuidado ao utilizar o gás do fogão
  • Utilize apenas toalhas, aventais e panos de cozinha de tecidos naturais
  • Quando usar o microondas não cubra os alimentos com papéis metalizados nem coloque no interior do aparelho louça com decoração prateada ou dourada, pois causa faísca
  • Mantenha as crianças afastadas do forno devido ao risco de queimaduras
  • Guarde os pequenos eletrodomésticos em armários altos ou com portas fechadas porque aparelhos ao alcance das crianças podem ser facilmente puxados e os fios podem causar acidentes fatais como enforcamento

Produtos de limpeza e outros tóxicos

  • Guarde estes produtos fora do alcance das crianças. Existem fechos que impedem a abertura de armários e gavetas da cozinha
  • Nunca coloque detergentes, lixívia, inseticidas ou pesticidas em garrafas de água/refrigerantes de plástico já usadas

Eletricidade e tomadas

  • As tomadas devem ter ligação à terra
  • Instale protetores nas tomadas para evitar choques

Objetos pontiagudos ou cortantes

  • Mantenha objetos como facas, tesouras e chaves de fendas, entre outros, fora do alcance das crianças

Tábua e ferro de engomar

  • Nunca deixe o ferro ligado com o fio desenrolado. Além da elevada temperatura é perigoso porque pode ser puxado pela criança
  • Evite tábuas de passar roupa que possam ser puxadas para baixo

Medicamentos

  • Devem ser guardados em lugares altos, de preferência em armários, ou em caixas bem fechadas
  • Não tome nem dê medicamentos sem prescrição ou orientação médica
  • Não tome os seus medicamentos em frente das crianças, pois elas tendem a imitá-lo
  • Não use medicamentos fora de prazo ou em embalagens que estejam deterioradas. Entregue-os na farmácia mais próxima

Armas

  • Não tenha armas em casa. Se tiver, guarde-as fora do alcance das crianças e não as tenha carregadas
  • Nunca deixe as munições junto à arma

Outros perigos

  • Não deixe bebidas alcoólicas ao alcance das crianças
  • Leia os rótulos das embalagens com atenção
  • Ensine a criança a não aceitar bebidas ou alimentos que lhe sejam oferecidas por estranhos
  • Não deixe crianças com menos de dez anos andarem sozinhas de elevador

Prevenir acidentes com bebés

  • Não deixe a criança sozinha em cima de um móvel, bancada ou cama.
  • Tenha a roupa que vai vestir à criança, bem como fraldas, toalhitas de limpeza e cremes sempre junto de si.
  • Use camas de grades, pois evitam quedas. Normalmente, as grades são adaptáveis em altura para facilitar a colocação e a retirada da criança da cama. As grades de cama devem ter, no mínimo, 60 cm de altura e a sua distância não deve ser superior a 6 cm.
  • Depois de colocar a criança na cama verifique se a grade está bem colocada.
  • Verifique se o estrado está bem seguro e se o colchão é adequado.
  • Não deixe brinquedos dentro da cama.
  • Nunca deixe a criança sozinha na banheira pois alguns segundos bastam para que se afogue. Verifique a temperatura da água e utilize tapetes antiderrapantes.
  • Os brinquedos devem ser suficientemente grandes para não poderem ser engolidos e resistentes para não lascarem ou partirem. Devem ter um diâmetro superior a 32 mm ou, se forem esféricos, superior a 45 mm. Não devem ser pontiagudos.
  • Verifique sempre os rótulos e escolha brinquedos adequados à idade da criança.

Outros riscos

  • Sacos de plástico, fios de telefone, almofadas
  • Pastilhas elásticas e rebuçados
  • Cordões à volta do pescoço para segurar a chupeta
  • Não beba líquidos quentes com o seu filho ao colo
  • Proteja os cantos das mesas
  • Se aquecer o leite do biberão no microondas lembre-se de que o aquecimento não é uniforme, deve agitar sempre o biberão antes de o dar ao bebé
  • Quando deixar o seu filho com outras pessoas certifique-se que cumprem as mesmas regras

Números de telefone úteis (que deve ter sempre à mão)

Centro de Informação Antivenenos: 808 250 143

Saúde 24 (Dói, Dói? Trim, Trim!): 808 24 24 24

Associação para Promoção da Segurança Infantil (APSI): 21 884 41 00

SOS Criança: 217 931 617 / 116 111

Não se esqueça!

A prevenção é a melhor forma de evitar acidentes.

Источник: https://www.cuf.pt/mais-saude/acidentes-domesticos-aprenda-preveni-los

Acidentes domésticos: qual o limite entre o cuidado e o excesso?

Acidentes com crianças. Tenha cuidado!

“Não encosta nisso”, “Desce daí”, “Tira a mão!”, “Cuidado com a cabeça!”. Se identificou? Que imagens vêm à sua cabeça?

Brincadeiras à parte, quem tem crianças em casa, sabe que ser pai, mãe cuidador é tomar a frente em uma verdadeira gincana diária para protegê-las dos pequenos perigos que rondam uma casa.

Quinas, tomadas, objetos pontiagudos, produtos tóxicos, escadas: tudo isso se torna uma ameaça eminente – sobretudo para os pequeninos, que ainda estão na fase de experimentar o mundo com a boca e as mãos.

Quem observa uma mãe ou um pai sempre alertas ao menor sinal de perigo, pode pensar que se trata de um exagero. “Imagina, é só um sofá!”, “Deixa o menino”. Quem nunca ouviu algo assim?

Qual o limite entre a necessidade de proteção e o excesso descabido de preocupação? Como equilibrar a autonomia dos pequenos com exposições nocivas a situações perigosas? Em uma sociedade que tanto teme o risco, como proporcionar uma infância livre e plena sem blindar as crianças de seu potencial de experimentação do mundo?

São perguntas que não têm uma resposta única e nem exata, muito menos universal. Cada família irá vivenciar essa relação de uma forma distinta. Por isso, é preciso ter clareza sobre qual perfil de parentalidade se quer seguir, sem nunca perder de vista a importância da presença ativa na vida dos pequenos.

Pensando nisso, em parceria com o Hospital Albert Israelita Albert Einstein, que diariamente atende crianças acidentadas em situações corriqueiras, o Lunetas compartilha aqui alguns caminhos possíveis para facilitar essa tarefa paradoxal que todo pai experimenta no dia a dia com as crias: proteger e libertar.

Um risco real

Independente de qual seja a abordagem de educação com que a família se identifica, o fato é que os índices de acidentes domésticos envolvendo crianças é alto e alerta para um cenário concreto: 90% das ocorrências acidentais dentro de casa poderiam ter sido evitadas.

Para Renata Waksman, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, com as férias e o maior tempo em casa, as crianças ficam ainda mais expostas ao risco de acidente.

“Crianças e adolescentes sofrem um grande número de traumas em casa ou em seu entorno, a maioria destes eventos ocorre no final da tarde e início da noite, no verão, durante fins de semana, feriados e férias escolares.

Muitos destes traumas acontecem em consequência de distrações, pressa, supervisão inadequada e mudanças na rotina da casa e outros fatores como estresse, moradias sem medidas de segurança, famílias numerosas e mudanças de casa aumentam as chances de sofrerem acidentes”, pondera Renata, que é autora do livro “Segurança na infância e adolescência.

Quais são os locais de maior perigo?

Cozinha, banheiro, escadas e corredores, quarto, sala, lavanderia, piscina, quintal: cada ambiente da casa oferece riscos diverso. Por isso, a pediatra nos oferece algumas dicas de como proceder em cada um deles:

Antecipar os perigos pode ser mais simples do que você imagina. E quando se trata de crianças pequenas, toda cautela é bem-vinda.

“Um maior número de acidentes ocorre com crianças pequenas em suas próprias casas, ou seja, os perigos estão bem mais perto do que se imagina.

 Além de uma maior supervisão, é importante que todos os lugares que a criança frequenta estejam adaptados – casa, escola, clube, restaurantes, parques, casa de vizinhos, amigos, parentes.

Os riscos e tipos de acidentes também mudam conforme a idade e as habilidades adquiridas pelas crianças”, explica.

“Muitas vezes um local que não apresentava perigo ontem, pode não ser mais seguro amanhã”

Radiação de microondas, choque térmico ao sair do chuveiro, abrir a geladeira com o corpo quente, manusear aparelhos elétricos descalço, secador na pia do banheiro, usar celular carregando na tomada, entre outros. Como os pais identificam o que é mito urbano e o que é perigo real para a criança?

Para Waksman, todos as situações descritas acima não passam de mitos. “Os pais precisam conhecer os riscos de forma antecipada e preparar a casa para receber o bebê, desde o seu nascimento.

É importante analisar, do ponto de vista da segurança, todos os cômodos em separado do ambiente doméstico – para saber mais, consultem o livro  “Crianças e Adolescentes em Segurança“, da Sociedade Brasileira de Pediatria (Editora Manole, 2014)”.

A especialista lista ainda os principais riscos de cada cômodo:

Cozinha

  • O bujão de gás deve estar do lado de fora;
  • Tomadas elétricas devem estar protegidas e fios presos e recolhidos;
  • Materiais de limpeza devem estar em suas embalagens originais e fora do alcance das crianças, em armários altos e trancados;
  • Utilizar os queimadores (bocas) do fogão de trás, cabos de panela devem estar virados para dentro e para trás;
  •  Objetos cortantes devem ficar fora do alcance das crianças (facas, garfos, pratos e copos de vidro, saca rolhas, espetos), em gavetas e armários com travas.

Banheiro

  • Armários contendo cosméticos, medicamentos, aparelhos elétricos devem ser mantidos trancados e longe do alcance das crianças;
  • Evitar deixar o piso molhado e usar tapetes antiderrapantes;
  • Controlar o aquecedor se for a gás (manutenções periódicas), manter o banheiro bem ventilado;
  • Não usar chave para ligar o chuveiro, se for elétrico. O indicado são disjuntores de 20 ou 30 Watts;
  • A fiação deve estar em bom estado e presa no alto, as tomadas elétricas devem estar protegidas, aparelhos elétricos não devem ser mantidos nas tomadas ou ligados após o uso;
  • As tampas dos vasos sanitários devem ser mantidas fechadas e travadas;

Quarto das crianças

  • Devem ter camas com largura de 80 cm a 1 metro com proteções laterais, e os espaços entre as grades devem ser de 5 a 7 cm para evitar que as crianças prendam a cabeça;
  • Cuidados semelhantes com os beliches;
  • Os móveis não devem ter cantos pontiagudos, mas arredondados, para evitar lesões nas crianças;
  • Brinquedos devem ser guardados em ordem para evitar quedas;
  • Cobertores e lençóis devem ser presos no pé da cama, para evitar asfixia;
  • Janelas devem ter proteção e não ter nenhum móvel embaixo para evitar quedas;
  • Tomadas devem ter protetores e deve-se evitar TV e abajures em quarto de crianças pequenas;

Quarto do casal

  • Não se deve fumar na cama, evitando risco de incêndio;
  • Tomadas devem ter protetores, os fios devem ser curtos e fora de alcance de crianças e as TVs e outros aparelhos colocados sobre móveis firmes e estáveis, evitar usar a mesma tomada para dois ou mais aparelhos elétricos, evitando risco de choques, traumas ou incêndio;
  • Medicamentos, perfumes e cosméticos devem ser guardados em armário alto e trancados, para evitar intoxicações;
  • Bolinhas de naftalina não devem ser utilizadas, por risco de intoxicação.

iStock/Arte Lunetas

A maior parte destes eventos traumáticos é prevenível por meio do aumento da conscientização e das condições de segurança do ambiente doméstico.

Sala

  •  Aparelhos eletrônicos devem ser mantidos fora do alcance das crianças, com fios curtos e presos, evitando o risco de choque elétrico ou queimaduras;
  • Bebidas alcoólicas devem ser acondicionadas em armários altos e trancados, para evitar intoxicações;
  • Fósforos e isqueiros também devem ser guardados em armários altos e trancados evitando risco de incêndio.
  • Móveis devem ter pontas redondas, evitando risco de ferimentos;
  • As escadas devem ter cancelas para evitar quedas;
  • Telefone de fácil acesso para pedir socorro em caso de necessidade;
  • Plantas ornamentais e portas de vidro devem ser evitadas ou sinalizadas para evitar intoxicações ou traumas.
  • Cortinas não devem ter puxadores para evitar enforcamento.

Lavanderia, jardim, garagem e varanda

  • Janelas devem ter grades de proteções e não ter móveis perto para evitar quedas;
  • Churrasqueiras devem ter fixação adequadas e mantidas longe das crianças, não deve se utilizar álcool liquido, pelo risco de incêndio;
  • Piscina deve ter muro, cerca ou grades de proteção, portão trancado, lona de cobertura e alarme, pelo risco de afogamento;
  • Pesticidas, herbicidas e outros objetos da garagem devem ser mantidos em armários altos e trancados, evitando risco de intoxicação ou traumas;
  • Não se deve manter plantas tóxicas em casa;
  • Baldes e bacias devem ser mantidos em local alto e vazios pelo risco de afogamento;
  • Tanque de lavar roupa deve ter fixação adequada e não se deve deixá-lo cheio de água ou roupas, evitado o risco de trauma por queda;

Corredor e escada

  • Manter iluminação clara e constante e com piso adequado, antiderrapante, sem tapetes ou objetos que atrapalhem a circulação, evitando risco de quedas;

Panorama de acidentes domésticos no Brasil

Gabriela Guida de Freitas, coordenadora nacional da ONG Criança Segura, chama a atenção para um ponto importante: cada tipo de acidente afeta mais uma faixa etária especifica, devido a diversos fatores ligados ao desenvolvimento infantil.

“As mortes por sufocação são mais recorrentes em bebês de até um ano. Já as internações por quedas acontecem mais com crianças de cinco a 14 anos e por queimaduras de 10 a 14 anos”, explica.

“As mortes por acidentes na infância vêm diminuindo desde 2001, ano de fundação da Criança Segura no Brasil. Nesse período, a redução dos óbitos por acidentes de crianças de zero a 14 anos foi de 37%. O único tipo de acidente que apresentou aumento de ocorrências com vítimas fatais nesse período foi a sufocação, que é um acidente que acontece predominantemente com bebês de até um ano”.

Para ela, apesar da necessidade de observação e da cautela constante, o possível excesso de cuidado é uma questão relevante, e merece ser pensada com atenção.

“De um lado, não queremos que os responsáveis por crianças vejam os acidentes como fatalidades, situações que são inesperadas etc, pois sabemos que os acidentes são previsíveis e evitáveis em 90% dos casos.

Por outro lado, também não queremos que as crianças sejam criadas por adultos super preocupados, que assustam a criança e acabam a deixando medrosa ou sem poder brincar livremente e explorar o mundo através de seus sentidos e sua imaginação”, pondera.

Para ela, a solução é cada família buscar o seu próprio caminho de cuidado, cada adulto responsável por uma criança deve pensar o que cabe e o que não cabe em seu contexto de vida, rotina e possibilidades.

“Esse limite só pode ser encontrado por cada adulto responsável ao observar a criança. Algumas crianças entendem mais rápido a noção de consequência e risco. Outras já são mais ousadas e curiosas”, pondera.

“Cada caso deve ser observado individualmente e, por meio do afeto, os adultos devem ensinar às crianças a cuidar de seus próprios corpos”

Gabriela explica que a maior luta do movimento Criança Segura, hoje, diz respeito diretamente à conscientização dos pais e responsáveis pela criança.

“Nossa luta é pela conscientização do uso correto dos dispositivos de retenção veicular infantil (bebê conforto, cadeirinha e assento de elevação).

Em 2008, a lei que obriga o uso desse tipo de equipamento foi aprovada, mas percebemos que os responsáveis pelas crianças ainda têm muitas dúvidas sobre esse tema e acabam utilizando os equipamentos de forma errada, o que coloca em risco a vida das crianças.

Quem quiser se aprofundar no assunto, o movimento Criança Segura disponibiliza gratuitamente uma série de materiais de apoio para as famílias, como um guia contra envenenamento e intoxicação, dicas de prevenção de acidentes em áreas externas e como prevenir acidentes com animais.

*Este conteúdo foi produzido pelo Catraquinha em novembro de 2017, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein. Em maio de 2018, o Catraquinha migrou para o Lunetas.

Você sabia que 90% dos acidentes domésticos poderiam ter sido evitadas? Entrevistamos especialistas no assunto para ajudar os pais nessa questão tão sensível.
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Источник: https://lunetas.com.br/acidentes-domesticos-criancas/

Como ensinar prevenção de acidentes às crianças

Acidentes com crianças. Tenha cuidado!

Crianças não nascem sabendo o que pode ou não representar um perigo para suas vidas. Durante muitos anos, meninos e meninas irão precisar do cuidado e atenção constante de adultos para que consigam se desenvolver de forma plena e saudável e aprender a cuidar de si mesmas.

Se para um adulto é óbvio que ao botar a mão no fogo ele vai se queimar, para uma criança pequena não é assim. Ela ainda não tem conhecimento nem experiência suficientes para saber a consequência de seus atos.

Por isso, é responsabilidade dos adultos cuidar e proteger as crianças de perigos, evitando que elas se machuquem ou até mesmo percam a vida por motivos evitáveis. Cabe também aos responsáveis educar e ensinar as crianças – por meio do amor e do afeto – como elas podem cuidar de si mesmas na medida em que crescem.

Porém, muitos pais, familiares, cuidadores e educadores de crianças têm dúvidas sobre como abordar a prevenção de acidentes com os pequenos.

Por isso, preparamos esse pequeno guia que irá te ajudar.

1. Converse com a criança de acordo com seu nível de compreensão

Conforme cresce, a criança passa por diversas fases em seu desenvolvimento físico, cognitivo e social. Em cada fase, ela desenvolve novas habilidades e aprende novos conceitos.

Ao abordar a prevenção de acidentes com crianças, é importante entender em que fase do desenvolvimento a criança está e qual é o seu limite de compreensão e aprendizagem. Assim, é possível escolher a melhor linguagem e método para trabalhar esse assunto em cada idade.

Lembre-se: só a partir dos cinco anos de idade é que a criança passa a compreender melhor o que é certo e errado, o conceito de causa e consequência. Até lá, tenha paciência com os pequenos e repita as explicações sobre segurança quantas vezes forem necessárias.

Para saber mais sobre esse assunto, leia a entrevista que a pedagoga Silvana Bianchi concedeu à Criança Segura.

2. Utilize vídeos, histórias e ilustrações para tratar do assunto

Além do diálogo constante com a criança sobre prevenção de acidentes e cuidado com sua saúde e seu corpo, você pode utilizar materiais de apoio, como vídeos, livros e ilustrações, para tornar essas conversas mais interessantes aos pequenos.

A Criança Segura disponibiliza diversos recursos que podem ser utilizados em sala de aula ou até mesmo em sua própria casa para falar com as crianças. Confira alguns:

– Série de vídeos “Olha só o perigo”

– Série de vídeos “As incríveis aventuras do super pedestre”

– Gibi “Pequenos pedestres, grandes cidadãos”

Você pode conferir nosso acervo completo na área de Publicações do nosso site.

3. Realize atividades lúdicas e recreativas para ensinar sobre cuidados e prevenção

Crianças aprendem brincando. É por meio das brincadeiras e da fantasia que elas se expressam, experimentam e reinventam o mundo e as relações sociais, conhecem seus corpos e emoções e aprendem a cuidar de si e dos outros. Através de jogos e atividades lúdicas é possível ensinar muito a uma criança.

Veja um exemplo de atividade lúdica para trabalhar a prevenção de quedas:

CAMINHO DA AVENTURA

Convide as crianças para passear pelo “caminho da aventura”. Explique que eles andarão por diferentes tipos de chão e precisam ficar bem atentos durante a caminhada.

Você pode andar pelo quintal, calçada, sala de casa ou pátio de escola. Usando sua imaginação, vá descrevendo diferentes tipos de chão e comente qual a conduta a ser adotada em cada um deles, por exemplo:

Diga que estão andando em um chão de pedras. Então, é preciso pisar bem devagar e firme, para não cair. Peça que as crianças tenham cuidado e as estimule a entrarem de verdade na brincadeira.

Fale que agora estão passando pelo chão molhado e que para andar nesse tipo de chão é preciso caminhar com passos curtos e lentos, sem correria.

Imagine também um lindo gramado, sem nenhum obstáculo, e permita que as crianças andem e brinquem livremente nesse tipo de chão.

Continue criando novas circunstâncias ao longo do passeio. Ao terminar a caminhada, peça para as crianças comentarem que tipo de chão requer mais cuidado e atenção quando estamos andando.

Você pode encontrar muitas outras atividades para abordar a prevenção de acidentes no livro “Programa Criança Segura na Escola – Livro do Professor”, da Criança Segura.

4. Faça o Curso On-line para Multiplicadores da Criança Segura

Quer se aprofundar e aprender mais sobre como trabalhar a prevenção de acidentes com crianças e até mesmos adultos de sua comunidade? Então, inscreva-se no Curso On-line para Multiplicadores da Criança Segura. Clique aqui e informe seu interesse em participar de nosso curso. Assim, quando uma nova turma for aberta iremos te avisar.

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Источник: https://criancasegura.org.br/noticias/dicas/como-ensinar-prevencao-de-acidentes-as-criancas/

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