Riscos da gravidez aos 40 anos

Gravidez aos 40: quatro mães partilham as suas experiências

Riscos da gravidez aos 40 anos

Lembro-me de ouvir o meu obstetra dizer “a fertilidade não aumenta, diminui!”, como que incentivando-me a não atrasar muito a gravidez que eu desejava. De acordo com o American College of Obstetricians and Gynecologists, a facilidade em engravidar naturalmente diminui à medida que nos aproximamos dos 40 anos. O número de óvulos com que nascemos é finito.

Aos 40, as hipóteses de engravidar não são as mesmas que aos 20. É por isso ainda mais extraordinária a gravidez acima dos 35 ou depois dos 40 anos.

O aumento da idade da grávida pode ter riscos associados para a mãe e para o bebé. É por isso que é tão importante seguir à risca os conselhos do médico. Uma grávida que não tenha problemas de saúde anteriores não deverá ter com que se preocupar. Mesmo assim, tem de estar atenta a questões fundamentais:

 O risco de alterações cromossómicas é maior: pode ocorrer aborto espontâneo nas primeiras semanas de gestação ou haver malformações no feto;

 A tensão arterial tem tendência para aumentar e pode tornar-se um risco para a gravidez (pré-eclâmpsia);

 Os níveis de açúcar no sangue podem elevar-se (diabetes gestacional);

 O risco de prematuridade é maior.

Rastreio pré-natal na gravidez aos 40

Os potenciais problemas da gravidez podem ser detetados cada vez mais cedo. Os avanços da medicina entram no cálculo do sucesso.

Joana Pereira, à espera do António Maria, que vai nascer em julho, conta que “o médico que a acompanha não deu muita ênfase à idade (38 anos), a não ser pelas questões do risco aumentado da presença de trissomias ou outras malformações.

[O médico] explicou que o risco basal destas complicações, acima dos 35 anos, era muito superior ao verificado, por exemplo aos 30 anos, mas que esse risco poderia ser diminuído com exames de rastreio combinado no primeiro trimestre”.

Joana Pereira

Além destas informações, o médico também a informou de que apenas com um “exame de diagnóstico invasivo poderíamos ter a certeza da inexistência de complicações, mas que esse exame, embora fosse sempre uma opção dos pais, poderia ser dispensado, em caso de risco baixo nos rastreios”.

Joana conta que, “face ao risco muito baixo que os exames evidenciaram, optámos por não realizar um exame invasivo e apenas completámos o rastreio combinado do primeiro trimestre, por sugestão do médico, com um ecocardiograma fetal“.

O médico irá recomendar-lhe o rastreio pré-natal, que permite obter informações vitais sobre o bebé e avaliar o risco da gravidez.:

• Entre as 10 e as 13 semanas (preferencialmente às 11 semanas): rastreio combinado do 1.º trimestre para deteção de anomalias genéticas (idade da mãe; exame bioquímico do sangue materno; exame ecográfico da translucência da nuca do feto e verificação da presença do osso nasal);

 Entre as 20 e as 22 semanas: ecografia morfológica para avaliar o estado da formação do bebé e análise bioquímica do sangue materno;

 Caso o rastreio inicial sugira a existência de malformações fetais, o cariótipo do bebé poderá ser analisado através de exames invasivos como a amniocentese ou a biópsia das vilosidades coriónicas.

Atualmente, já existem testes não invasivos que permitem analisar o ADN do feto a partir de uma amostra do sangue periférico da mãe, com um elevado nível de precisão, mas de preço elevado (Harmony, Panorama, Tranquility, Tomorrow). Verifique com a sua companhia de seguros se o exame é comparticipado.

A maternidade foi sempre um desejo, mas nunca foi um ‘cavalo de batalha’. Só faria sentido se encontrasse a pessoa certa para [a] acompanhar nesta aventura – Joana Pereira

As prioridades das mulheres mudaram. A construção de uma carreira profissional assente em formação adequada demora bastante tempo e exige muita dedicação. Pensar no futuro implica, por vezes, adiá-lo um bocadinho. Por outro lado, para muitas mulheres, não faz sentido construir uma família sem a pessoa ideal. E nem sempre é fácil encontrá-la.

Joana Pereira confessa que para ela “a maternidade foi sempre um desejo, mas nunca foi um ‘cavalo de batalha’. Só faria sentido se encontrasse a pessoa certa para [a] acompanhar nesta aventura”.

Joana partilha a enorme alegria de ter sido recompensada com o “amor da [sua] vida, um pouquinho mais tarde do que teria imaginado, mas acho que foi muito a tempo”. Acrescenta que se sente “totalmente tranquila com o timing e com imensa vontade de abraçar esta nova fase da vida”.

A notícia que vem mudar tudo

Poucos dias depois de fazer 40 anos, a minha irmã Joana partilhou que estava à espera de bebé. Já tinha dois filhos, de 11 e 14 anos, e estávamos todos longe de achar que teria mais. Os riscos de uma gravidez tardia foram a sua primeira preocupação.

Depois, descreve a “surpresa normal de uma gravidez não planeada numa altura em que tinha dois filhos (muito) crescidos e já pensava estar tudo fechado nesse capítulo. Depois, foi a preocupação normal com a saúde do bebé até ir à primeira consulta. Não tinha tomado ácido fólico nem feito qualquer preparação para a gravidez.”

E acrescenta: “na primeira consulta, o médico de sempre disse, sem qualquer margem para negociação, ‘não diga a ninguém que está grávida‘. Isso bateu muito cá dentro.

” Sentiu “insegurança e medo de estar à espera de um bebé que não ia ter sorte nenhuma na vida porque já não tinha idade para estas aventuras.

” Juntou a esta conta um “sentimento de culpa e solidão por não poder contar a ninguém”.

Joana e Filipa

Para Rita Pires Marques, que foi mãe da Mercês aos 37 anos, a descoberta da sua primeira gravidez foi “um misto de alegria imensa, coração cheio, e alguma incerteza em relação ao que estava para vir”.

Surgiu também a dúvida sobre “se estaríamos à altura dos papéis de mãe e pai a que nos propúnhamos.” A gravidez “não foi uma surpresa. Já tinha deixado de tomar a pílula. Deixámos a natureza seguir o seu rumo.”

Margarida Matos de Sousa, mãe aos 36 anos, confessa que quando teve a confirmação de que vinha lá o Sebastião, “foi um choque. Acho que demorei mais de uma semana a digerir a ideia. Depois aos poucos comecei a achar piada.”

O percurso normal da gravidez aos 40

A gravidez de Rita Pires Marques “foi fantástica, correu tudo lindamente, tanto física como psicologicamente. Não tive nada de enjoos, azia ou outros. A certa altura, andava mais sensível e chorava por tudo e por nada, mas na verdade ríamos sempre imenso quando isso acontecia pois tínhamos plena noção das transformações hormonais que o corpo estava a sofrer.”

Rita Pires Marques e a Mercês

A minha irmã relata alguma ansiedade até chegar o resultado do teste Harmony. Nesse momento, diz: “como fiquei livre de fazer amniocentese, pude respirar de alívio e contar a toda a gente que estava à espera de uma bebé.” Depois, seguiu-se “a gravidez mais tranquila de todas, por estar tudo bem e por ter tido as dúvidas todas resolvidas nas primeiras gravidezes.”

Margarida, que, confessa, até engravidar dizia sempre “gravidez não é doença“, passou a acrescentar a essa máxima “mas está lá perto”.

“Estava sempre maldisposta, a engordar, mas sem sentir que estava grávida, via-me deformada. Não estava a gostar! Mas depois do primeiro trimestre, os enjoos passaram. Foi a partir deste momento que gozei ao máximo.

Estava totalmente zen! Fisicamente, sentia-me muito bem.”

Conselhos para uma gravidez aos 40

 Cumpra à risca as recomendações do médico;
 Pratique uma alimentação saudável;
 Controle o peso;
 Não fume;
 Não beba álcool;
 Faça exercício físico moderado, caso o seu médico autorize;
 Descanse e evite motivos de stresse;
 Vigie os fatores de risco (doenças anteriores, se existirem);
 Goze a gravidez com tranquilidade.

E quando chega o bebé?

“A vida muda para sempre e as prioridades alteram-se“, afirma Rita. “Se antes, levava trabalho para casa, agora chego a casa e só quero abraçar o meu pintainho. Nada mais interessa”.

Margarida partilha: “quando o bebé nasceu, não tive aquele amor à primeira vista. O ‘clique’ só aconteceu já à noite. Lembro-me muito bem de olhar para o bebé e, de repente, dar por mim a sorrir e a encantar-me com aquele ser pequenino. E, todos os dias, a partir daquele momento, gosto cada vez mais dele. É um amor inexplicavelmente crescente e enorme.”

Queremos aproveitar o mais possível o nosso filho, damos o máximo e mesmo assim é pouco – Margarida Matos de Sousa

Para a minha irmã Joana, com dois filhos mais velhos, foi um pouco diferente: “um parto tranquilíssimo e depois confiança no que fazer, nos suspiros todos da bebé, nos choros“, mas aponta a “tristeza por não ter podido dar de mamar mais tempo (mais uma vez, a dúvida: deve ser por ter esta idade toda, com certeza foi algo de errado que fiz) mas também a pragmática aceitação do leite de substituição – os outros dois mamaram um ano inteiro cada um”.

E acrescenta que, talvez por já ser mais velha e por ser o terceiro filho, tenha sido tão mais fácil estabelecer rotinas: “muito maior facilidade no estabelecimento de rotinas, não há questão, saber que as rotinas são boas para os bebés (dormir, acordar, comer, tomar banho, essas coisas). Muito maior facilidade em descansar, em inventar menos coisas para fazer…”

Regressar à vida ativa depois da gravidez

É um misto de sensações. Margarida conta que “o regresso à rotina e ao trabalho foi estranho. Por um lado, foi bom voltar a trabalhar, rever os colegas e ter conversas de adultos. Por outro lado, estamos com a cabeça noutro sítio, sempre a pensar no nosso filho, se está bem, se comeu bem, se está a dormir bem. Temos saudades do cheiro, do sorriso, dos barulhos.”

Sebastião, filho de Margarida Matos de Sousa 

A minha irmã mantém “a sensação de estar permanentemente a fugir para regressar a casa, numa equipa em que ninguém tem filhos.” Acusa também o cansaço, “agora, uma noite interrompida paga-se em duas semanas.

” Rita aconselha: “é muito importante cuidarmos de nós; o trabalho e a rotina ajudam a ‘descansar’ a cabeça de birras e fraldas.

Não podemos esquecer os jantares com os amigos e os programas românticos.”

Na realidade, nenhum destes sentimentos muda com a idade. Aos 20, 30 ou 40, todas sentimos o mesmo.

Margarida realça que “queremos aproveitar o mais possível o nosso filho, damos o máximo e mesmo assim é pouco.” Rita acrescenta que o que é incrível na gravidez “é termos um ser dentro de nós, a formar-se, a crescer e a preparar-se para este mundo cá fora.”

A minha irmã Joana confessa “o orgulho de ter tido uma bebé com esta idade e de ter feito tudo certo; de ter dois filhos grandes e esta ‘mini’ e ninguém ficar indiferente a isso; de ter uma filha que sabe que toda a gente no mundo a adora e isso poder ter sido algo de certo que eu fiz.”

Fontes:

  • American College of Obstetricians and Gynecologists

Agora que já sabe que a gravidez aos 40 (ou à volta disso) é um motivo de grande felicidade, saiba como identificar os primeiros sintomas. Já agora, prepare-se para algumas alterações no seu cérebro. Acima de tudo, divirta-se e aproveite esta maravilha da vida.

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Источник: https://www.saberviver.pt/bem-estar/saude/tudo-o-que-deve-saber-sobre-gravidez-aos-40/

Como engravidar depois dos 40? Conheça suas chances

Riscos da gravidez aos 40 anos

Revisado pelo: Ginecologista e Obstetra Dr. Rodrigo da Rosa Filho (CRM 119789)

Tratamentos de reprodução humana permitem engravidar depois dos 40 anos com mais segurança e chances de sucesso, mas atenção, um médico especializado é essencial desde o planejamento.

Atualmente, objetivos pessoais, profissionais, financeiros ou mesmo a saúde podem motivar uma mulher a postergar a maternidade.

Saber que existem possibilidades de como engravidar depois dos 40 anos é fundamental para que as mulheres compreendam essas chances e façam a escolha mais apropriada às suas condições de vida e objetivos.

Entenda melhor a seguir.

Qual a realidade da maternidade tardia no Brasil?

A maternidade mais tardia é uma realidade no País. Com a maior presença das mulheres no mercado de trabalho, muitas optam em postergar a gestação, pois buscam a realização de outros sonhos, além da maternidade.

A realização de outros sonhos antes da maternidade é mais frequente, mas também devemos considerar os casos de mulheres que se submeteram a tratamentos oncológicos ou de outras doenças que podem diminuir a fertilidade. Nesses casos, existe a opção, por exemplo, de preservar a fertilidade por meio do congelamento de óvulos.

Independentemente das motivações da mulher, a medicina especializada em reprodução assistida tem um papel fundamental nesse cenário que é cada vez mais comum no Brasil.

Uma pesquisa do Ministério da Saúde indica o crescimento desse tipo de gestação. Dados apurados em 2017 apontaram que entre 1995 até 2015 mais de 70 mil mulheres optaram por engravidar depois dos 40 anos; mais de 4 mil mulheres com idade entre 45 até 49 foram mães; e mais de 300 gestaram uma nova vida acima dos 50 anos.

Esses dados contribuem para que haja maior otimismo entre as mulheres com mais de 40 anos que desejam ser mães, pois, independentemente da idade, a realização do sonho da maternidade pode ocorrer enquanto essa mulher não estiver na menopausa.

Qual a idade limite para engravidar naturalmente?

Uma dúvida muito comum entre as tentantes é em relação à idade limite para engravidar naturalmente. Na verdade, a Medicina não faz a estimativa dessa forma, sendo que, enquanto ovular a mulher tem chances de engravidar, mas elas diminuem com o passar dos anos. A queda nas chances ocorre após os 35 anos, principalmente após os 38 anos, diminuindo drasticamente após os 42 anos.

Gestações em mulheres acima de 40 anos são de risco e demandam uma maior atenção médica para segurança da mãe e do bebê.

Quais as chances de engravidar em cada idade e após os 40 anos?

Estimativas de ginecologistas obstetras apontam que a chance da mulher engravidar após os 40 anos de forma natural é muito baixa, quando comparada a uma mulher mais nova, na casa dos 20 e 30 anos. Enquanto as mulheres mais novas têm 80% de chance de uma gestação de forma natural, para as mulheres com 40 ou mais, esse índice cai para 5-10%.

A cada faixa etária a mulher apresenta chances distintas de concepção por ciclo. Conheça a seguir:

  • Dos 26 aos 30 anos: 18% por ciclo, sendo que 85% engravidam em até 12 meses;
  • Dos 31 aos 35 anos: 15% por ciclo, sendo que 80% engravidam em até 12 meses;
  • Dos 36 aos 40 anos: 9% por ciclo, sendo que 30-50% engravidam em até 12 meses;
  • Dos 41 aos 42 anos: 4% por ciclo, sendo que 5% engravidam em até 12 meses;
  • Dos 43 aos 45 anos: 0,2% por ciclo, sendo que 1% engravidam em até 12 meses.

A maior dificuldade para engravidar após os 35 anos, com diminuição significativa das chances a partir dos 40 anos deve-se ao fato de que a mulher, com o passar dos anos, vai perdendo a sua capacidade reprodutiva, que está diretamente relacionada à produção de óvulos e a qualidade que eles apresentam com o passar da idade.

Desde o nascimento, mensalmente a mulher vai eliminando esses óvulos, sem a reposição dos mesmos.

Como engravidar depois dos 40 anos?

Portanto, consciente da dificuldade, por fatores biológicos, de engravidar após principalmente os 40 anos, e da demanda social cada vez maior nesse sentido, a Medicina tem alcançado avanços importantes. E a medicina especializada na reprodução humana assistida colabora de forma positiva para que as mulheres que optaram pela maternidade tardia possam concretizar esse sonho.

Uma das principais formas de como engravidar depois dos 40 anos é com o auxílio da Fertilização In Vitro (FIV), que consiste na fecundação do óvulo e espermatozoide em laboratório e posterior transferência do embrião para a cavidade uterina.

Muitas mulheres que engravidam após os 40 anos estão conscientes quanto aos cuidados adicionais que deverão ser tomados durante todo o processo de fertilização e da gestação devido às maiores chances de uma gravidez de risco em razão da idade materna.

Por mais saudável que a mulher seja, após os 40 anos, existe uma pré-disposição maior ao aparecimento de algumas condições médicas.

Dentre as respostas sobre como engravidar depois dos 40 anos, verificamos a existência de tratamentos de reprodução assistida, como a Mini-FIV, protocolos próprios, como quantidade de embriões transferidos em cada tentativa e exames auxiliares, como o teste ERA.

Usando de exemplo, a apresentadora Eliana precisou ficar boa parte de sua gestação tardia de repouso — ela engravidou aos 42 anos —, enquanto a cantora Ivete Sangalo, grávida de gêmeos após os 45, conseguiu manter a sua rotina agitada por quase todos os nove meses de gestação.

Esses casos nos lembram da importância de um acompanhado médico individualizado, pois apenas avaliando as condições da paciente, sua rotina, hábitos e saúde o especialista poderá recomendar os cuidados mais apropriados.

Reserva ovariana e a influência na FIV

É muito comum que, comprovada a capacidade gestacional da paciente — a reserva ovariana —, e a saúde do parceiro/doador, a mulher seja submetida a uma FIV. Os médicos vão induzir a estimulação dos folículos para conseguir extrair o maior número de óvulos maduros.

Com esse material biológico coletado, é a hora de manipular o material masculino/do parceiro, sendo que todos os processos são realizados em laboratório. Quando o especialista consegue um embrião viável, o mesmo é transferido ao útero da mulher, que foi previamente preparado para o recebimento.

A partir dos 38 anos, é indicado que a mulher faça o tratamento de reprodução assistida com estudo genético dos embriões ou com auxílio da ovodoação, que consiste em usar óvulos saudáveis doados por outra mulher. A ovodoação é comumente aplicada as mulheres com idade maior ou igual a 42 anos.

As chances de concepção em ciclos de FIV é um tem bastante explorado na literatura médica. Uma pesquisa da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, avaliou a taxa de gravidez da FIV em mulheres acima dos 40 anos com óvulos próprios. Os resultados, por idade, foram:

  • 20,8% de sucesso no ciclo de FIV em pacientes com 40 anos;
  • 15% de sucesso em pacientes com 41 anos;
  • 11,6% de sucesso em pacientes com 42 anos;
  • 2,8% de sucesso em pacientes com 43 anos ou mais.

Ainda que não exista uma data limite para tentativas de FIV, de acordo com as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM), estudos apontam que a partir de 45 anos as chances de sucesso no tratamento com óvulos próprios é de menos de 1% e as chances de embriões aneuploides aproxima-se de 100% aos 47 anos.

Apenas o especialista em reprodução humana poderá recomendar o tratamento mais apropriado ao caso, mas a paciente ainda poderá considerar o programa de ovorecepção.

Quais os riscos da gravidez tardia?

Infelizmente, engravidar após os 40 anos aumenta a chance do surgimento de inúmeras condições que comprometem a saúde materna e fetal, como:

  • Maior risco de aborto espontâneo;
  • Maior risco para o desenvolvimento de doenças cromossômicas, como a Síndrome de Down;
  • Desenvolvimento de diabete gestacional;
  • Pré-eclâmpsia;
  • Maiores chances de parto prematuro;
  • Crescimento intrauterino restrito;
  • Complicações genéticas.

Como já informado, não significa que todas as mulheres que engravidam após os 40 anos terão uma gestação de risco, e sim que a idade colabora para elevar as chances de algumas complicações.

Cuidados ao engravidar depois dos 40 anos

É indicado que as mulheres com idade superior aos 40 anos, quando decidirem engravidar, procurem pelo aconselhamento médico. O ideal é que esse processo se inicie três meses antes que as tentativas de engravidar comecem, para que o médico consiga identificar possíveis fatores de riscos e aconselhar o casal.

Nessa fase pode ser indicado o uso de vitaminas, porém isso fica a critério do médico que assiste a paciente. Em casos de doenças pré-existentes, como a obesidade ou hipertensão, é importante que a mulher seja bem assistida, para não acarretar ainda mais riscos ao bebê e à gestante.

Devido ao avançar da idade, o acompanhamento pré-natal torna-se mais rigoroso, sendo que pode ser indicado que a mulher faça visitas ao ginecologista obstetra mais de uma vez ao mês e tenha que se submeter a um número maior de exames no período.

Esses cuidados, assim como em uma gestação em qualquer idade, fazem parte da rotina. Por mais que muitos possam achar mais arriscado engravidar após os 40 anos, esse perigo diminui significativamente quando essa decisão é acompanhada de um bom aconselhamento médico.

Quer saber mais sobre engravidar depois dos 40 anos com especialistas? Entre em contato conosco!

Fontes:

Ministério da Saúde;

Clínica de Reprodução Humana Mater Prime;

Conselho Federal de Medicina (CFM).

Источник: https://materprime.com.br/engravidar-apos-os-40-anos/

Gravidez depois dos 40 anos: é mesmo perigoso?

Riscos da gravidez aos 40 anos

São várias as razões que levam as mulheres a adiar a maternidade. A estabilidade emocional de uma relação, um emprego fixo, melhores condições salariais — tudo isto são fatores que, para várias mulheres, constituem uma base sólida para avançar para o nascimento de um filho.

Enquanto se espera por atingir todos esses objetivos, o relógio não pára. Os anos passam e, se há cerca de 20 anos era normal uma mulher de 25 anos já ser mãe (em 1990, a idade média de uma mulher aquando do nascimento do primeiro filho era de 24,7 anos), o mesmo não acontece agora — em 2016, a média de idades era de 30,3 anos (dados da Pordata).

Mas existe quem espere mais tempo. Independentemente das razões, sejam elas motivos profissionais, emocionais, das dificuldades em engravidar até ao instinto maternal que só chega mais tarde na vida, a verdade é que as gravidezes depois dos 40 anos tornaram-se mais comuns.

Entre 2012 e 2017, o número de mulheres que se tornaram mães depois dos 40 aumentou 22 por cento em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. Em 2015 esse número alcançou um pico, tendo sido registado o nascimento de 4728 crianças de mulheres com 40 ou mais anos.

Os riscos de uma gravidez tardia para a mulher

É comum ouvirmos que é perigoso ser mãe “tarde”, principalmente quando se trata de uma primeira gravidez. Mas quais são exatamente os perigos de uma gestação aos 40 ou mais anos para uma mulher?

“Se estivermos a falar de uma mulher saudável, os perigos de uma gravidez aos 40 são exatamente os mesmos que aos 20 anos. Isto quando falamos das mulheres e não do feto, claro está”, afirma à MAGG Olga Santos, médica ginecologista e obstetra.

A idade pode aumentar a probabilidade de doenças como as tromboembólicas (varizes, embolias, coágulos, etc), hipertensão, que pode causar uma pré-eclâmpsia, diabetes, que também pode causar uma diabetes gestacional, entre outras.”

A especialista explica que os problemas relacionados com a idade não são consequência desta por si só, mas sim das doenças que uma idade mais tardia pode alavancar.

“A idade pode aumentar a probabilidade de doenças como as tromboembólicas (varizes, embolias, coágulos, etc), hipertensão, que pode causar uma pré-eclâmpsia, diabetes, que também pode causar uma diabetes gestacional, entre outras”, salienta a obstetra, que garante que as mulheres fumadoras podem ver o seu quadro agravado.

Olga Santos acrescenta que todas as grávidas, tenham fatores de risco assinalados ou não, devem seguir as mesmas recomendações.

“Não fumar, evitar estar em espaços com muito fumo, seguir a suplementação vitamínica recomendada pelo médico, bem como ter cuidados a nível da alimentação e manter uma dieta equilibrada.

Caso sejam mulheres com fatores de risco (fumadoras ou com doenças diagnosticadas), esses mesmos fatores devem ser vigiados, devem ter consultas menos espaçadas, seguir rigorosamente a medicação e os conselhos do médico assistente.”

Idade da mãe aumenta a probabilidade de cromossomopatias no feto

Apesar de a idade da mãe não ser um fator de risco numa mulher saudável, o mesmo não se pode dizer dos perigos que uma faixa etária mais elevada pode causar no feto.

“Os perigos da idade da mulher são existentes principalmente para o bebé, sendo que após os 40 anos existe uma maior probabilidade dos fetos desenvolverem cromossomopatias”, refere Olga Santos.

As cromossomopatias são alterações do número de cromossomas fetais, habitualmente relacionadas com problemas na formação do óvulo.

Recomendo sempre a amniocentese às minhas pacientes com mais de 40 anos, mesmo com um rastreio pré-natal de baixo risco.»

A Síndrome de Down (trissomia do cromossoma 21), por exemplo, é uma das cromossomopatias mais comuns de suceder quando a mulher ultrapassa os 35 anos— existe um caso em cada 300 nascimentos, afetando grávidas entre os 35 e os 38 anos e, acima dos 40 anos, a probabilidade sobe para 1 em cada 50 casos.

É também devido a estes dados que a amniocentese (um procedimento de diagnóstico pré-natal no qual se colhe uma pequena amostra de líquido da bolsa amniótica que envolve o feto, sob controlo ecográfico, para que possa ser realizado um estudo dos cromossomas para despiste de doenças genéticas específicas) é recomendada por muitos médicos em casos de mães com 35 anos ou mais.

“Recomendo sempre a amniocentese às minhas pacientes com mais de 40 anos, mesmo com um rastreio pré-natal de baixo risco, até porque o rastreio é um teste de probabilidades, avalia o risco, mas não oferece um diagnóstico”, explica Olga Santos, que acrescenta que este é um exame que pode ser realizado gratuitamente em qualquer hospital do Serviço Nacional de Saúde (para mães a partir dos 35 anos).

Há mães que dispensam a amniocentese

Paula Gentil Santos tem 44 anos, é mãe de um rapaz com três anos, e engravidou aos 41 anos sem qualquer ajuda de tratamentos de fertilidade.

“Casei-me com 38 anos e engravidei nessa altura, mas essa gestação não correu bem e não chegou ao fim”, conta Paula, que criou a Associação Mãe Limão, uma associação de empreendorismo materno, após o nascimento do filho.

Apesar de já ter tido uma consulta de fertilidade, a logística dos tratamentos e injeções assustava-a e demorou a decidir-se.

“Acabei por fazer uma viagem com o meu marido, deixámos os problemas de lado, descontraí e a verdade é que voltei dessas férias grávida.

Acho que causei tanta ansiedade ao meu corpo, sempre a pensar no porquê de não engravidar e em quando iria acontecer, que me sabotei.

O pensamento tanto nos motiva, como nos trava e, quando relaxei, aconteceu naturalmente”, recorda Paula à MAGG.

Com 41 anos, a hipótese da amniocentese foi colocada em cima da mesa pelos médicos, “mais a título informativo”, afirma. “Mas nunca foi uma hipótese para mim. Já tinha tido uma gravidez que não tinha corrido bem e decidi que, independentemente de tudo, não iria interromper esta.”

Com ecografias que não apontavam para qualquer má formação no bebé, “achei que apenas pela minha idade não fazia sentido, não vi validade em avançar com o exame”. Paula acabou por levar uma gravidez tranquila, sem qualquer recomendação especial.

“A única coisa que acho que seria menos dolorosa se fosse mais nova eram as noites sem dormir depois do meu filho nascer. Talvez aos 20 anos recuperasse mais facilmente do défice de sono”, brinca Paula Gentil Santos.

O parto pode ser um momento complicado para mulheres mais velhas

Paula Cruz tem 48 anos, trabalha como responsável de comunicação e foi mãe pela primeira vez há oito anos. Depois de uma gravidez de alto risco, consequência de um leve deslocamento de placenta no segundo trimestre, Paula entrou em trabalho de parto às 40 semanas.

“No dia em que completava as 40 semanas de gestação, a minha médica rompeu-me as águas contra a minha vontade. Vim a descobrir depois que, o que inicialmente me foi transmitido como um acidente, fruto de um exame, na verdade foi propositado”, conta Paula.

Quando falamos de mulheres com 40 anos ou mais, não estou de acordo que se force um parto vaginal.»

Após 12 horas de trabalho de parto, com muita dificuldade em fazer dilatação, Paula levou três doses de epidurais e a filha estava prestes a entrar em sofrimento.

“A minha filha acabou por nascer de parto vaginal, com recurso a ventosas e com uma médica a fazer força na minha barriga”, recorda Paula Cruz.

Já o filho de Paula Gentil Santos nasceu com recurso a uma cesariana, não sem antes Paula ter passado longas horas em trabalho de parto. “Estive 21 horas a tentar dilatar para chegar ao parto vaginal, mas tal não foi possível”, afirma.

Olga Santos, médica obstetra, tem uma forte opinião sobre os partos vaginais, que considera que são levados à força em alguns hospitais.

“Existe uma tendência enorme atualmente para promover os partos naturais, sendo que um parto natural (sem medicação ou intervenção médica) não é um parto vaginal, é importante perceber que são coisas diferentes. E quando falamos de mulheres com 40 anos ou mais, não estou de acordo que se force um parto vaginal”, partilha a especialista.

Devido a incompatibilidades feto-pélvicas (conjunto de situações em que existe uma desproporção entre o tamanho do feto e as dimensões do canal de parto) e em dificuldades em dilatar (dado que nas mulheres mais velhas poderá existir uma diminuição da elasticidade dos tecidos e, consequentemente, da capacidade de dilatação), Olga Santos conclui que “existe uma maior probabilidade dos partos de mulheres mais velhas terminarem em cesarianas” e discorda que, para chegar a essa decisão, seja necessário as mulheres passarem por horas de sofrimento evitáveis, enquanto se tenta forçar um parto vaginal.

Источник: https://magg.sapo.pt/saude/artigos/gravidez-depois-dos-40-anos-e-mesmo-perigoso

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